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Manly, um encontro com o Divino!

Manly por @MarinaFanti :


"Um dos programas absolutamente imperdíveis para quem vai para Sydney é fazer uma Day trip para Manly . Para chegar lá é preciso tomar o Ferry Circular Quay, no píer 3 de Sydney. Para quem tem o passe Mymulti 1, não precisa pagar nada, só validar o tíquete na catraca. A viagem leva meia hora e a travessia da Jackson Harbour já anuncia um passeio inesquecível.

Cercada de água por três lados, Manly é o destino preferido da maioria dos moradores de Sydney! E não é para menos; são 18 praias paradisíacas, quase intocadas pelo homem, cercadas de natureza por todos os lados.


As praias são interligadas por estradas e trilhas, trilhas que são consideradas as melhores do mundo para andarilhos. Tendo me embrenhado por muito mato nessa vida, confirmo que de fato, as caminhadas são inacreditavelmente bem estruturadas.

O ideal para quem vai à Manly é chegar bem cedo, curtir um pouco a praia central, onde fica todo o comércio, restaurantes e cafés e rumar para as trilhas. O trajeto mais interessante de se fazer passa por dentro do chamado
NorthHead Sanctuary. O local onde hoje é um parque ecológico protegido, foi até pouco tempo uma escola de artilharia, onde militares moravam e treinavam para batalhas.







Depois de desativada a base militar, decidiu-se liberar a região para o público e essa foi a coisa mais sensata a se fazer, porque não seria justo manter este tesouro para usufruto privado.

As paisagens são deslumbrantes, a vegetação parece ter sido fruto de um projeto paisagístico, e não obra do equilíbrio natural. Animais selvagens também habitam a região, eventualmente fazendo uma aparição surpresa, como os coelhos e pássaros diferentes que flagrei enquanto caminhava de boca aberta.


Vestígios do passado aborígene estão presentes ao longo das trilhas, em inscrições nas rochas e em locais onde enterravam seus mortos. A base militar ainda existe, abandonada e em ruínas em alguns trechos, mas a intenção é que sejam recuperadas e se tornem centros de educação e pesquisa ambiental no futuro. Enquanto isso não acontece, os andarilhos exploram a região com seus mapas recém-adquiridos no centro de visitantes do santuário (onde dois velhinhos simpáticos dão informações), sem pressa, nem preocupação em se perderem.

Isso porque os caminhos são bem delimitados, há indicações a cada 100 metros, bebedores e banheiros em pontos estratégicos. A caminhada pelo parque pode levar até quatro horas, dependendo do ponto que se pretende alcançar. Mas o tempo voa nessas caminhadas e com tanta coisa para ver, é preciso prestar atenção ao relógio para não acabar caminhando no escuro depois...

Rochas gigantes se acumulam formando penhascos em frente ao mar turquesa sem fim e servem de mirante para os que procuram por baleias e golfinhos, ou mesmo pelos os arranha-céus de Sydney, num horizonte mais distante. Alguns casais levam queijos, uvas e champanhe para o topo dos penhascos e celebram o pôr do sol num dos cenários mais românticos que já conheci. Outros, apenas correm em meio às trilhas para deixar corpo e alma em forma.




Até crianças acompanham os pais nas trilhas, num ritmo mais devagar, curiosas por tudo. Um mangue no meio da trilha, no alto de uma montanha destoa completamente da paisagem e hipnotiza quem passa por ali, com sua beleza e sons inusitados. Grilos, sapos e pássaros compõem uma sinfonia única no lugar, que se assemelha ao som das músicas dos aborígenes me fazendo questionar o quanto a natureza os inspirou na criação de sua arte.

O passeio é incrivelmente belo e profundamente inspirador. Não acredito que conhecer Manly, sem caminhar pelas trilhas, sem apreciar um pôr do sol na graciosa
Shelly Beach à sombra de Kokaburras ou no alto de um penhasco em frente ao infinito que une céu e mar, seja o suficiente. Por isso, se for à Manly, que seja de tênis, que seja acompanhado e que seja aberto a perceber o divino nas formas, cores e sons da natureza!








3 comentários:

Turquezza disse...

Com certeza irei a Manly quando for visitar Sydney. Parabéns pelo texto.

Marina disse...

Não dá pra perder mesmo Turquezza! Você vai se deslumbrar também!:-) Bjos

Anônimo disse...

Marina, você faz um Australia Review excelente, o que desperta em todos a vontade de ir lá também e conferir o que você disse. Isso é um dom do bom escritor, abrir o apetite do leitor para que ele embarque no texto. Em você, é o fascínio do voyeur, que nos passa, através de seus olhos, sua câmera e suas impressões ricas, o desejo de consumir essa beleza toda.
Adoro seus textos. Já aprendi a gostar dessa Austrália tão distante. Mas é melhor você voltar pra casa, tá, filhinhaaaa!
Um beijo.